Wagner, de Santo Antônio do Sudoeste, está desaparecido; Lucas, de Francisco Beltrão, conseguiu escapar após semanas no conflito.
Dois jovens do Sudoeste do Paraná estão entre os brasileiros que decidiram se voluntariar para lutar na guerra da Ucrânia contra a Rússia.
- Wagner da Silva Vargas, de Santo Antônio do Sudoeste, está desaparecido desde julho de 2025.
- Lucas Felype Vieira Bueno, de Francisco Beltrão, conseguiu fugir após abandonar o campo de batalha no início de agosto.
Eles integram um grupo de paranaenses que buscou no conflito armado um novo propósito, mas que acabou marcado por mortes, desaparecimentos e traumas.

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Quem são os jovens do Sudoeste
Wagner Vargas mantinha contato diário com a mãe, Maria de Lourdes; porém, a última conversa ocorreu em 11 de junho, quando anunciou que ficaria sem celular. Na ocasião, Wagner explicou que seguiria para a linha de frente; desde então, ele não deu notícias, e, além disso, não tinha experiência em combates.
Já Lucas Felype, natural de Francisco Beltrão, viajou à Ucrânia em maio; contudo, acreditava que atuaria apenas como operador de drones. Porém ao perceber que seria enviado ao front, Lucas decidiu escapar. Assim, em 12 de agosto, percorreu mais de mil quilômetros e conseguiu cruzar a fronteira em segurança.
Outros paranaenses voluntários
Além dos dois jovens do Sudoeste, outros três paranaenses também se envolveram no conflito:
- Em setembro de 2024, Gabriel Lopacinski, de Mallet, desapareceu após lutar. A família recebeu a notícia de sua morte; no entanto, o corpo jamais foi localizado.
- Murilo Lopes Santos, de Castro, morreu em julho de 2024, em Zaporizhzhia. Ele havia se alistado em novembro de 2022.
- Antônio Hashitani, estudante de medicina em Curitiba, trancou o curso para se voluntariar. Morreu em agosto de 2023, em Bakhmut.
No total, quatro paranaenses estão mortos ou desaparecidos, restando apenas Lucas, de Beltrão, que conseguiu retornar.
O que motiva jovens a entrar em uma guerra?
Segundo a psicóloga Adriana Schiavone, muitos jovens buscam na guerra um sentido para a vida; assim, acreditam preencher vazios e superar frustrações.
“Em alguns casos, eles se sentem sem objetivos; portanto, dentro do conflito, pensam encontrar propósito”, explica a psicóloga, ao analisar o perfil dos voluntários.
Já Deborah Sedor, voluntária na Humanitas Brasil-Ucrânia, destacou que a maioria não possui descendência ucraniana; além disso, muitos entram pela influência de colegas ou promessas financeiras.
Julia Regina Bertoldi, do Comitê Humanitas, relatou que alguns retornam com traumas severos; enquanto isso, famílias de desaparecidos enfrentam luto sem despedida digna.
A entidade reforçou que, além das perdas materiais, as sequelas emocionais marcam profundamente os sobreviventes e suas comunidades.
- Fonte: G1
- Foto: Reprodução/Redes Sociais
- Redação: Edney Manauara